Início
Enviar Indique a um amigo   imprimir imprimir
A criação
"São oito obras, realizadas em seis dias."

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O livro do Gênesis apresenta dois relatos da criação. O primeiro está em Gn 1,1-2, 4a e é, geralmente, considerado o mais recente. Esse é estruturado a partir de um esquema de enumeração, a seguir apresentado:

Dia

Obra

Descrição da obra

1

I

Luz e trevas

2

II

III

Águas superiores e inferiores

Terra e mar

3

IV

Vegetação

4

V

Sol, lua e estrelas

5

VI

VII

Aves e peixes

Animais da terra

6

VIII

Homem

            São, portanto, oito obras, realizadas em seis dias. A luz é o que primeiro aparece, apesar dos astros celestes só surgirem no quarto dia, isso porque a divisão entre a luz e as trevas não se refere àquela fornecida pelo sol, trata-se da luz que caracteriza a divindade. A primeira obra de Deus consiste em expulsar as trevas, o caos, introduzindo a luz de sua glória. A seguir aparece a terra pela divisão das águas do oceano, depois a vegetação, os corpos celestes, as aves que voam, os peixes no abismo inferior, os animais terrestres e o homem.  A enumeração é apenas esquemática, não tendo relação com o desenvolvimento cronológico da terra, que não era conhecido pelo autor sagrado. Nem tão pouco a duração de seis dias deve servir para indicar o tempo empregado na formação do universo, mas para sugerir que a semana e seu sábado, unidade de tempo sagrada dos hebreus, é uma obra da criação e que a vida do homem deve modelar-se com base no modelo revelado por Deus. Também a apresentação de Deus seguindo o mesmo esquema do trabalho do homem pode ressaltar que a criação é um trabalho e não um combate que termina com a vitória de Deus sobre um mal já existente.

            Assim negando o dualismo, hipótese que afirma a existência de um mal primário, um princípio hostil, da mesma forma que o bem, e que jamais será derrotado definitivamente. A negação dessa hipótese proclama a supremacia absoluta de Deus sobre toda a criação, além de apontar para a possibilidade de que o universo, que foi criado inteiramente bom, pode futuramente ser transformado, retornando à bondade total pelo poder divino.

            Nesse primeiro relato da criação, é a palavra pronunciada que tudo realiza, para Deus, ser supremo, basta a palavra para realizar sua vontade.

            O segundo relato da criação, presente em Gn 2,4b-25, não descreve a origem do mundo, mas concebe o princípio como um deserto, que vai se transformar a partir da água que Deus manda a terra, originando o Jardim do Éden. Essa visão do início do mundo, segundo alguns estudiosos, surge no tempo do rei Salomão (séc. X a.C), entre os nômades do deserto, por isso imaginam que a água é o princípio de toda vida, a bênção maior. Daí vem o Éden como um paraíso, para onde convergem os maiores rios da terra conhecida e onde as árvores e os frutos são abundantes.

            Outros estudos afirmam que essa seção (Gn 2,4b-25) não é uma segunda narrativa da criação, mas uma narrativa que se combina com a anterior, a partir de tradições diversas, narrando a criação do homem e da mulher e descrevendo o paraíso perdido.

 

 

 
Por: Valéria Maria Cavalcanti Tavares

< voltar
 
Copyright © 2013 | Comunidade Católica Recado